

Quando era pequeno, do outro lado da rua dava para ver os congos passarem, mas antes de ver de fato, via-se ouvindo os sons,, e o que se ouvia também ressoava por toda cidade. No congo, de longe, já se escuta os apitos e tambores, as gungas e as patangomas.
Mas é preciso ver com os olhos o que se passa no congo: ver as pessoas e os instrumentos; ver os cetins, as fitas, as cores; ver que “as pessoas vão para a festa para serem vistas, para ficarem bonitas!”
Com o congo o menino trouxe as cores; rosa, rosário, azul.
Na irmandade dos homens de cor há de fato cores, cores e mais cores! E elas nos seduzem por seus contrastes e tonalidades e por seus agregados - que são os materiais utilizados artesanalmente - como brocados, lantejoulas, vidrilhos ou os de modo industrializado e que estão muito presentes hoje - como os bordados computadorizados, os óculos escuros, os cachos “canecalons”.
Congo das rendas, dos papéis de bala e bombom que brilham nas coroas. Congo contemporâneo, multimídia, interativo. Interessante e necessário conflito, afirmação e resistência de um povo cada vez mais vivo.
Alexandre trouxe consigo o anjo congadeiro, que alguém despercebido pensou até ser um santo! Mas o anjo, que marca e que fala das diversas Resistências, não entrou na igreja. Foi parar atrás dela, lá onde os congadeiros também param depois de passarem cantando, tocando e dançando na porta da Nossa Senhora do Rosário.
O lugar do anjo é lugar de descanso, de sentar no banco e arejar a cabeça, lugar para rever a família, para encontrar amigos e amores; para matar saudades e também paquerar.
Axé a todos esses anjos congadeiros!